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Expectativas Maternas

A mãe de 2 (ou mais)

A mãe de 2 (ou mais) é um eterno misto.

É um misto de mãe experiente com marinha de primeira viagem (afinal, os filhos são diferentes, né?).

É a mistura de um “Deus me livre ter um segundo” com “quem me dera uma fofurinha no meu colo” (afinal, meu filho pede tanto um irmão).

É a mescla de “um bebezinho é uma coisa tão linda!” com “por que ele não dorme 8 horas seguidas como o seu irmão mais velho de 4 anos?”.

É a combinação de “pelo meu bebê eu largo tudo” com “caraca, logo agora que eu tava voltando a ter a minha vida própria”.

É um eterno duvidar da capacidade de amar mais de um filho com tanta intensidade, com um “que bobagem! Como pude pensar isso algum dia?”.

É saber que o desespero pra que o primeiro mês do primogênito voasse, não combina com a compreensão de que “tomara que o segundinho não cresça tão rápido assim”.

É ver o primeiro ensinando tantas coisas ao segundo e pensar que está perdendo o último bebê da casa pro mundo.

É se sentir exausta por escutar tantas vezes no dia “mamãe, eu tô com fome, ele me bateu, acabei o cocô, tô com medo” e quando a casa silencia, olhar em suas camas aqueles seres angelicais dormindo e pensar: “nhooooo… como podem dar tanto trabalho?”

É sentir um amor absurdo por cada filho mas não conseguir escolher um como preferido.

É fazer um enxoval lindíssimo pro primeiro e reaproveitar o que pode pro segundo.

É ser a mãe inatingível na primeira vez e a mãe que “faz o que dá” nas próximas maternidades.

É saber que o primeiro filho te deu um medo do caramba pra cuidar e com o segundo você já ri dotada da sua enorme “auto-confiança”.

É pedir desculpas pro primeiro por tê-lo feito de experimento de mãe e ter que se vigilar com o segundo pra não “liberar geral”.

É fazer malabarismo quando vê os boletos dobrados chegando em casa e quando olha pros pequenos pensar: “mas tá valendo a pena”.

Ser mãe de dois (de três ou mais) é saber que não existe limite pro amor (nem pro cansaço).

Ser mãe de dois é tão múltiplo quanto insano.

Obrigada, meus meninos!

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Expectativas Maternas

Existe mãe perfeita?

Nós, mães, nos cobramos perfeição o tempo todo. Mesmo que sem querer, estamos lá achando que devemos e (o que é pior) que podemos dar conta de tudo. Mas eu vou te contar um segredinho: somos humanos, feitas de carne, osso, músculos… Por mais que tentemos, uma hora a estafa chega, estafa física, mental, emocional.

Faço aqui um papel importante, venho te contar que nenhuma mãe é perfeita, é mulher maravilha, consegue dar conta de tudo. Mesmo que pareça ser. Ás vezes as aparências enganam e a imagem perfeita de mulher, mãe, esposa, profissional que fazemos de determinada pessoa não é aquilo tudo que possa parecer. Nós falhamos, temos nossas limitações e quanto mais negarmos isso, vamos correr atrás do próprio rabo tentando dar conta de algo inalcançável, principalmente sozinhas.

A sociedade vem mudando ao longo das décadas e séculos. O que antes era papel principal da mulher, que era criar filhos e cuidar da casa, hoje, não se resume mais a isso. Antes tínhamos essa obrigação e sem poder opinar muito, aceitávamos e tudo bem. A mulher saiu de casa, foi trabalhar, foi estudar, foi ganhar o mundo e entendeu que seu papel não era ser só mãe e esposa. E começamos a pensar em um mundo mais igualitário, onde os pais também contribuam com a casa e a educação dos filhos.

Atualmente, uma mulher dificilmente sonha somente em formar família. Ela deseja conquistar o mundo: viajar, estudar, vivenciar experiências sozinha, com as amigas, construir sua carreira profissional. Mas nos deparamos com uma dura realidade: como seguir atrás de nossos sonhos se nossos papel de casa, de mãe e esposa exemplar continuam nos exigindo muito?

Entendendo e aceitando que é humanamente impossível dar conta de tantos papéis: mãe, mulher, esposa, trabalhadora, amiga… Entender que você precisa do apoio do seu marido/companheiro. E se você puder construir uma rede de apoio com seus parentes (geralmente sogra e mãe), ter alguém que te ajude com a casa ou com seu filho. Tudo isso ajuda a aliviar a rotina pesada que todas nós temos atualmente.

Eu acredito que sem o peso da perfeição que a sociedade (e nós) tanto nos cobra, nossa maternagem possa ser mais leve, sem tantas cobranças, nos dando a chance errar e acertar, podendo cuidar de si mesma. Bora desconstruir tudo isso?

Com carinho,

Lilica.

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Autoperdão: toda mãe deveria praticar.

Qual foi a mãe que NUNCA perdeu a paciência em meio a uma crise do filho (ainda mais em torno dos 2 ou 3 anos)?

Qual foi a mãe que NUNCA sentiu vontade de desistir. Que NUNCA pensou nem por 1 segundo sequer aonde estava com a cabeça quando decidiu ser mãe?

Que jurou que NÃO teria nem mais um filho…

Educar não é nada fácil. Eu diria que tem sido uma das tarefas mais desafiadoras para mim. Demanda energia, paciência, paciência, mais paciência e estar bem centrada em si, porque quando já estamos estressadas, cansadas, cheia de problemas, basta uma atitude de desobediência para nos tirarmos do sério.

TODAS nós já nos sentimos culpadas em algum momento da maternidade (seja gravidez, quando o bebê nasceu, quando ele estava maiorzinho)…a gente vive permeada de culpa, parece que não podemos errar nenhuma vez. Mas somos humanas e erramos sim! Temos sentimentos, nos sentimos exaustas, tristes, sobrecarregadas, estressadas e estouramos de vez em quando. Com tanto que não seja diário, faz parte.

Quando erramos, não temos o que fazer para voltar atrás. O que foi feito, já está feito. Mas podemos recomeçar sempre. Então, analise sempre suas falas e ações e caso perceba algo de ruim, se auto analise e veja se pode melhorar. A verdade é que sempre podemos ser melhores (mães melhores, seres humanos melhores). Não se culpe, mas busque ajuda, se precisar.

Lendo sobre disciplina positiva, me deparei com algo interessante que faz todo sentido para mim: a gente só consegue abaixar na altura da criança, olhar nos olhos, conversar, explicar e educar de forma justa, quando estamos em nosso centro de equilíbrio. Não adianta que nervosa e cansada nada irá fluir.

Então uma dica que dou pois tem funcionado comigo é cuide de si, não só fisicamente, mentalmente, espiritualmente, pessoalmente, você precisa estar bem para educar seu filho e cair menos nessas “armadilhas” de gritar, bater, ameaçar. São reações violentas que só adiantam a curto prazo por medo, pois não ensinam nada de fato.

Como sentimos na pele diariamente é exaustivo educar, erramos sim, algumas vezes, mas não deixe a culpa te paralisar e te fazer sentir uma monstra. Todos temos dias piores e melhores. Claro que quando temos uma consciência maior dos nossos atos, a chance de repetirmos esses “erros” diminuem. Mas quando eles acontecerem você vai saber que está tentando fazer o seu melhor e amanhã será outro dia de recomeço.

 

Um abraço apertado,

Lilica.

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Carga Mental Materna

Na sua casa: Você verifica se as unhas do seu filho precisam ser cortadas? Sabe o tamanho do pé dele? Sabe se as roupas que estão no armário estão cabendo nele? Qual é a próxima festa de aniversário que ele tem para ir e comprou o presente? Liga para marcar o pediatra e leva seu filho? Essas são algumas perguntas básicas que TODO pai e mãe deveriam responder sim para a maioria delas.

Mas a realidade nua e crua é que a maioria dessas perguntas são respondidas de maneira positiva pelas mães, que além de trabalharem fora de casa, trabalham dentro (lavando, cozinhando, passando) e cuidando dos filhos. Ahhhh mas o marido/companheiro/pai da criança, “ajuda”! Peraí que ninguém ajuda ninguém. Dentro de uma família, todos os membros colaboram, têm as suas tarefas definidas e fazem (ou pelo menos deveriam fazer) seu papel, então esse argumento de ajudar, tem sido bem rejeitado ultimamente. Pai não ajuda, pai PARTICIPA!

Ei, PARA TUDO! Se você é a mãe que está lendo esse texto, provavelmente já se sentiu sobrecarregada, mas se você é o pai que está lendo, pode não estar entendendo nada! Então, vem comigo que irei te explicar tudinho sobre essa tal de carga mental que as mulheres estão falando…

Geralmente as mães ficam com as tarefas domésticas e com as tarefas que podemos dizer “mentais”. E o que seriam essas tarefas mentais? Tomada de decisões, tomar conta dos detalhes da vida do filho, prestar atenção em situações emocionais e subjetivas que, muitas vezes passam despercebidas pelos homens. É da natureza deles ser assim? Eu, como professora de sociologia, diria que não. Todos os papéis são construídos socialmente e o papel do pai, principalmente na sociedade brasileira, é bem patriarcal e machista.

O que isso significa? Históricamente, o pai tem a função de prover financeiramente a casa e tomar as decisões importantes da família. Massss as famílias têm mudado muito e como citei acima, muitas mulheres também se tornaram provedoras da casa. Entretanto, continuaram com todo o resto das tarefas do lar e dos detalhes da família. São sobre esses detalhes que estamos falando!

Responsabilidade de sempre cozinhar, de sempre estar com as tarefas da casa como se fossem somente responsabilidade delas, pensar questões do dia-a-dia do filho, como lancheira da escola, uniforme escolar, conversar com a professora sobre a postura do filho em sala, tomar conta se a carteira de vacinação está em dia, preocupar-se com quem ficará com seu filho nas férias longas do final do ano, pensar nos presentinhos das professoras, se a escova de dente está boa para continuar usando ou precisa trocar e etc. Eu poderia continuar listando uma infinidade de tarefas que parecem bobas mas que juntas, diariamente, nos cansam demais mentalmente.

Isso se chama carga mental: uma série de tarefas que são colocadas para as mulheres como responsabilidade delas. Estamos cansadas físicamente de dar conta de tudo da casa e mentalmente por não ter com quem dividir as tomadas de decisões e atitudes cotidianas que parecem bobas mas nos tomam tempo de pensar e organizar. O que me deixa mais triste nisso tudo é que esses relatos não são de algumas mães insatisfeitas, e sim da imensa maioria das mães. Independente de classe social, de bairro, da família, mulheres estão sobrecarregadas constantemente, tendo que dar conta de grande parte das questões familiares, físicas, emocionais, mentais…

O que eu sugiro? Conversa, conversa, conversa. Explicando o grande cansaço de dar conta de muita coisa, que determinadas tarefas podem ser divididas e os pais podem (e devem) prestar mais atenção nos detalhes que geralmente são deixados para lá. Sugiro também delegar funções! Sim, pedir de forma quase que imperativa para que o paizão resolva algum problema ou seja responsável semanalmente por determinadas tarefas.

Eles precisam entender que a mulher/mãe precisa ter alguma sanidade mental para exercer as tarefas diárias dela. Caso essa mulher esteja sobrecarregada demais, ela vai pifar e o pai vai ficar perdido com tanta informação e tarefas que ela acumulava para si. Então, o primeiro passo é que o casal entenda que existe a divisão de tarefas e que os cônjuges precisam exercer essas tarefas de forma completa para que todos da família consigam exercer seus papéis da melhor forma possível. Eu tenho esperança nessa nova paternidade que está surgindo com os questionamentos das mulheres, em relação aos antigos papéis de seus maridos e companheiros.

Espero ter ajudado.

Lilica.

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Carta de um pai para a mãe dos seus filhos

“Meu amor,

faz dois dias que tivemos uma forte discussão. Eu havia chegado em casa, cansado com os problemas do meu trabalho. Eram 20h e a única coisa que eu queria era me sentar no sofá e assistir aquele jogo de futebol.

Quando eu te vi, você estava esgotada e mal-humorada. As crianças estavam brigando e o bebê não parava de chorar enquanto você tentava colocá-lo para dormir.

Resolvi aumentar o volume da TV.

– Seria bom que você me ajudasse um pouco e se envolvesse mais na criação dos nossos filhos – você me falou com um bico enquanto abaixava o volume da TV.

Eu, aborrecido, te respondi que “passei o dia todo trabalhando para que você pudesse ficar em casa brincando de boneca”.

A discussão aumentou. Você chorava de raiva e de cansaço. Eu disse coisas cruéis para você. Você gritou que não aguentava mais. Saiu de casa chorando e me deixou com as crianças.

Eu tive que dar a janta deles e colocá-los para dormir. No dia seguinte, você ainda não tinha voltado, tive que pedir uma folga ao meu chefe para que pudesse cuidar deles.

Vivi todos os chiliques e choros. Senti o que é correr sem parar e não ter tempo nem para tomar banho. Tive que preparar o café, vestir cada criança, limpar a cozinha e tudo isso ao mesmo tempo. Além disso, fiquei o dia todo em casa sem falar com ninguém maior do que 10 anos de idade.

Passei pelo que é não comer tranquilo, sentado em uma mesa e, ao mesmo tempo, estar correndo atrás de uma criança. Fiquei esgotado físico e mentalmente e só desejei dormir por 20 horas seguidas, mas tive que acordar às 3h da manhã porque o bebê acordou chorando.

Vivi dois dias e duas noites no seu lugar e agora posso dizer que te entendo. Entendo o seu cansaço, entendo que ser mãe é renúncia constante e que é mais esgotante do que 10 horas entre os “tubarões empresariais” e as decisões econômicas.

Entendi o que é a tristeza de ter que renunciar a sua profissão e a sua liberdade econômica para não deixar de estar presente na criação de nossos filhos.

Entendi a incerteza que você sente já que a sua economia não depende mais de você e sim, de mim,

Entendi os sacrifícios de não ter tempo para sair com suas amigas, fazer uma atividade física ou dormir a noite inteira.

Entendi como pode ser difícil se sentir presa cuidando das crianças e notando como está perdendo tudo o que acontece lá fora.

Até entendi o teu aborrecimento com a minha mãe, cada vez que ela critica a sua forma de educar os nossos filhos, porque ninguém sabe o que é melhor para eles do que a própria mãe.

Entendo que ao ser mãe, você acaba levando a carga mais pesada da sociedade. A que ninguém valoriza, nem reconhece e muito menos remunera.

Não te escrevo esta carta para que você volte apenas porque sinto sua falta, mas porque não quero que acabe um novo dia sem que eu te diga: “Você é valente! Está fazendo um excelente trabalho e eu te admiro muito!”

 

Nota recompilada por Sara Rosenthal

Naran Xadul

Tradução e adaptação livres: Mãe Só Tem Uma. Os direitos Autorais no Brasil são regulamentados pela Lei 9.610. A violação destes direitos está prevista no artigo 184 do Código Penal. Este artigo pode ser publicado em outros sites, sem prévia autorização, desde que citando o autor e a fonte. 

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Puerpério: sim, é possível sentir falta!

Diario do pai
Data Paternofilial 255.9
Terça-feira, eram 3 da manhã. Data paterna 246, começa a contagem de vida do meu filho, agora data paternofilial 246.1. O susto tinha passado. Minha esposa dormia na maca ao meu lado, logo após um parto complicado, logo após o susto que tive… apenas a via dormir… Mas no quarto faltava alguém. Não tinha a cama que mais esperávamos. Não tinha exatamente aquele que esperavamos desde a data paterna 01. Fiz a coisa mais difícil neste dia, a exatas 2h antes… leva-lo e interna-lo no CTI Neo Natal… nem pestanejei quando a médica sugeriu e agarrei com afinco que esta era a melhor decisão. E era. E foi. Aliás, a pior parte foi dar a notícia para minha esposa quando ela acordou.
Não, não vou falar da condição dele, foi mais um ato preventivo que qualquer outra coisa e isso é algo que condiz a família apenas. Portanto, ao encontrar uma família que o mesmo tenha ocorrido, segure a onda e não pergunte, se a família quiser te falar sobre, falará. Não tente falar do assunto, não tente encontrar justificativa (sempre parece crítica negativa a escolha dos partureintes… sério, sempre), fale apenas de força, se passou por situação parecida, fale da melhora, mas não force. Repetindo, apenas fale de força, fale de melhoras e nada mais. Neste momento, os parturientes só querem abraços e fim.
Mas esta introdução é apenas para relatar uma coisa: “Puerpério! Sim, é possível sentir falta!”.
Eu sei que o puerpério é uma fase complicada, mãe e bebê se adaptando, pai se adaptando a ambos (quando o faz), ninguém dorme, cólicas, dificuldade na amamentação, desespero total, a lista é grande e não quero romantizar nunca esta fase, ela é um caos regado de amor e desespero. Mas antes de dizer que ninguém sente falta do puerpério, eu e minha esposa hoje estamos ensandecidos para que o mesmo aconteça, afinal, ninguém merece os dramas do CTI que relato abaixo:
1- bebê no CTI, primeiro contato, ele está em uma incubadora, com tubos e mais tubos inseridos em um braço, um sistema de monitoramento que observa parâmetros corporais que realmente variam e apitam o tempo inteiro. No nosso caso, ainda tem um respirador no nariz. Você o vê por uma base de acrílico colocando apenas suas mãos no bebê sem poder colocá-lo no aconchego do colo. Não ainda. E quando tem esta autorização… o trabalho de tira-lo é tão grande devido aos tubos, que você não quer devolvê-lo para a caixa quente opressora. Então você começa a torcer que o respirador saia logo e facilite sua vida.
2- o primeiro banho não é seu. Nem a maioria das trocas de fraldas. Quando vão fazer algum procedimento ou revisão do bebê, você não pode ficar do lado. O resto do dia pode.
3- enquanto não sai o respirador do nariz, nada de amamentar. Vários bebês então se alimentam apenas de sonda, enquanto não tiram o respirador. Mas vai lá, a mãe é incentivada a ordenha para que seu colostro e leite fortaleça o bebê.
4- o local é desconfortável para os pais, por mais que as cadeiras sejam confortáveis. Passar o dia lá é mentalmente desgastante, desesperador, cansativo, mesmo que você faça nada, você fica totalmente esgotado.
5- a mãe tem alta, você pega na mão dela a noite e a leva para casa, quase a força, quase no papel do cara monstruoso que a está levando para longe da criança dela, mas porque você sabe que se ela não descansar, será pior.
6- no carro, o bebê conforto está vazio. Você o cobre com um pano para fingir que não a vê ali no fundo.
7- em casa você não dorme no quarto, pois o berço dorme vazio. Seu sono não vem, pois você não quer sair do lado da incubadora.
8- a noite é toda interrompida devido a dores e remédios do pós-parto. Ai você recorda, o bebê não está ali para reforçar que valeu a pena.
9- controlar para quem você fala a situação, dar notícias todo dia e controlar as visitações limitadas.
10- você saber o que seu filho precisa (ele ta com cólica por exemplo) e não poder fazer nada, pois ele está sobre controle rigoroso médico.
11- dia seguinte você volta ao hospital, e a rotina se repete.
Portanto, a única coisa que sentimos falta neste momento é o santo puerpério infernal. Adoraria passar noites em claro com o bebê chorando em casa e não em um esquife quente de acrílico.
Mas tem um alento nesta rotina malévola. Cada dia era uma melhora. Cada dia era uma comemoração. Cada dia você pensa que está mais próximo da alta. Mas a noite, ir para casa era um chute da realidade, pelo menos mais fraco, pois cada melhora era uma injeção de ânimo na esperança.
Por fim, não me dei ao luxo de chorar, este texto é meu choro. Apenas sei que não desejo isso a nenhum pai/mãe. Somente pior que este quadro seria a criança não viver. Repito isso na minha cabeça todo dia para aliviar a dor. Em breve ele estará em casa acabando com meu sono.
Meu próximo texto será sobre a importância do pai no pós-parto, exatamente com minha experiência no CTI. Espero que gostem.

Tulio Queto
É pai e escreve no blog http://jornadapai.blogspot.com.br/
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Não deixe a culpa (materna) te paralisar

TODAS nós sentimos culpa, todas! Não conheço uma mãe que não se torturou em algum momento por algo simples ou até mesmo mais sério. A verdade é que parece que junto com a maternidade também vem a culpa materna e ela nos faz remoer tantas situações, que muitas vezes não teríamos poder de mudança ou escolha, mas estamos lá, diariamente remoendo e nos culpando…

Culpa porque deixamos o filho tomar sorvete e está tossindo a noite toda, culpa pelas vezes que não repreendemos as atitudes que não foram legais ou que talvez passamos um pouco do limite repreendendo demais tal atitude. Culpa por querer viver um pouco fora do mundo da maternidade e sair com as amigas de vez em quando, culpa por não abrir mão de sua vida profissional e ter colocado seu filho na creche tão novinho. As situações seriam infinitas se ficássemos listando todas aqui.

Quando o assunto somos nós, mulheres, pessoa independente de ser só mãe, parece que a culpa bate mais forte. Queremos fazer exercício, ter vida social, profissional mas a maternidade muitas vezes nos puxa tanto que nos deixamos de lado muitas vezes e quando conseguimos uma escapulida para ir ao salão, bater um papo com as amigas, ir a um show, vamos e ficamos com a cabeça nos filhos, nos sentindo péssimas!

Calma! Você não está sozinha. Você não é a única mãe que se sente assim, posso dizer que quase todas que eu conversei (e não foram poucas) relataram esse sentimento de culpa, em diversos campos, depois que tiveram filhos. A culpa parece fazer parte de toda mulher que se torna mãe, então temos que encará-la e trabalhar com ela da melhor forma possível.

Certa vez a minha terapeuta me disse algo que ficou marcado. Ela me disse que o Antonio precisava de uma mãe que estivesse bem, por isso, eu precisaria cuidar de mim também, para eu estar bem fisicamente e emocionalmente. Para então, poder cuidar dele e cria-lo da melhor forma. Não parece mas nossos pequenos estão entendendo tudo o que está acontecendo a nossa volta, mesmo nas situações que não são ditas.

Por isso, eu não posso achar que ele precisa somente de uma mãe presente 24h todos os dias da semana. Porque a qualidade do tempo talvez não seja tão bom quanto poderia ser se eu tivesse um tempo para mim, para me cuidar como Elis, mulher, profissional e assim, poder ser uma excelente mãe nos momentos em que eu estiver presente com ele.

Escrevo esse texto para auxiliar as mães que carregam uma culpa extrema a ponto de paralisar alguns setores da vida. Acredito que o equilíbrio em tudo que fazemos é a chave para um bom resultado e uma mamãe bem e equilibrada será uma boa mãe, por isso, não se culpe tanto e tente cuidar um pouco de si, pois nós precisamos e merecemos!

 

Com carinho,

Lilica.

 

 

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Questão de saúde

O que você oferece as mães? Apoio ou crítica?

Uma pesquisa americana recente revelou que mais da metade das mães relatam receber críticas pelo modo como criam seus filhos, sendo seus maiores críticos pessoas bem próximas, como os pais, sogros e até parceiros. Será que a realidade no Brasil é muito diferente?

Segundo a pesquisa, dentre as críticas mais frequentes encontram-se questões relacionadas à disciplina, sono, amamentação e nutrição de seus filhos. Confirmamos isso em nosso dia a dia no consultório. Muitas mães, inclusive, recebem críticas por seguir a orientação do profissional de saúde, já que desde sempre a alimentação foi guiada pela família de forma diferente e ninguém “nunca morreu ou passou mal”!

Todo conselho, por mais que seja dado com boa intenção, deve ser avaliado e dado com muita cautela. Alguns deles podem trazer mais estresse do que tranquilização e gerar mais malefícios do que benefícios à criança e à mãe. Imagina todo mundo dando pitaco nas atitudes da mãe? Que confusão!

A maternidade é mágica em muitos aspectos, mas também é difícil e requer cuidados. A mulher muitas vezes encontra-se fragilizada, com mil dúvidas na cabeça, insegura e precisa receber carinho e apoio dos seus familiares e amigos. O excesso de críticas aumenta a tensão envolvida na criação dos filhos e até mesmo os profissionais de saúde devem ser cuidadosos na forma como lidam com a rotina familiar e transmitem suas orientações.

Se você é uma dessas pessoas cujo hábito é criticar, cuidado com seus pensamentos! Todo pensamento gera um sentimento que leva à uma ação. Logo, não analise tanto as atitudes de uma mãe para não criar o sentimento de julgamento dentro de você e acabar apontando o dedo para ela. Caso ela peça a sua opinião, dê, mas pese as palavras e escute sobre sua rotina e suas possibilidades. As mães ficam sobrecarregadas com tantas visões conflitantes sobre qual o melhor jeito de criar seus filhos.

No caso da alimentação e nutrição, observamos que isso acontece muito no período da amamentação e da introdução de novos alimentos. Existem pessoas que criticam as outras por

se prender a mitos mentirosos ou por achar que apenas a sua experiência é determinante para afirmar o que é melhor, como dizer que existe “leite fraco” ou que “um docinho nunca matou ninguém”. Um conselho mal dado e as críticas podem influenciar o crescimento e o desenvolvimento da criança, especialmente nessas duas fases, que são determinantes na infância e na vida adulta.

Em geral, as pessoas confundem duas atitudes: APOIAR e CRITICAR. Você deve apoiar, cuidar, acalmar, trocar experiências e incentivar. Não deve criticar, julgar e apontar. Reflita antes de dar conselhos, especialmente quando são inúteis, porque quando não são solicitados, a mãe pode percebe-los como se ela não estivesse sendo boa mãe e isso pode ferir seu coração.

Já experimentou dar créditos à mãe? Se coloque na posição dela e perceba como é lidar com tantas opiniões e tantas atualizações. Nem se tudo fosse regra seria possível seguir por um caminho previsível, pois cada pessoa é única e possui sua forma de dar os passos.

Anna Carolina Ghedini e Priscila La Marca

Nutriped

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Eles vão crescer

Eles vão crescer.
Um dia, eu terei saudades daquele cheiro de leite que sua pele emanava.
Vou sentir falta de ser a primeira palavra que ele dizia ao chegar em casa (“mamãe”) e até mesmo de ser chamada seguidamente pra que resolvesse as suas necessidades.

Eles vão crescer.
Meu colo será motivo de vergonha quando for na frente dos amigos. Logo aquele que era mágico e curador.
Eles vão me dizer que eu não sei de nada. Logo eu, que sempre fui a pessoa a quem eles sempre confiavam pra saber de tudo.

Eles vão crescer.
Vão me dizer que eu não tenho que ser tão paranóica, que nem tudo é maldade no mundo e que eles precisam viver suas vidas. Imagina! Eu que sempre estimulei sua independência.

Eles vão crescer.
Vou sentir falta de olhar pras camas e encontrar os melhores feitos que tive na vida. Saberei que na madrugada eles estarão em festas, com as namoradas ou até em suas próprias casas. Meu coração vai apertar porque tudo o que eu mais gostaria seria dividir a minha cama com eles, ainda que não coubéssemos os 4 ou que dormir fosse uma missão impossível ali.

Eles vão crescer.
Vão me dizer que estudarão em outras cidades, outros países e que precisam ganhar o mundo. E eu vou sentir falta de quando eu era o mundo deles.

Eles vão crescer.
E me dirão como devo agir, porque agora eles serão os detentores da verdade. Eu já serei a “caduca”, “atrasada” ou “a que não se atualizou”. E fui eu que ajudei a aprender suas primeiras letrinhas.

Eles vão crescer.
Mas eu não quero. Me deixa, tempo, continuar a organizar suas festinhas de aniversário, ir brincar de bola, fazer bolo com eles ou assistir os seus desenhos favoritos.

E quando eles crescerem, se eu tiver sorte, terei netos.
Eles serão a última chance que a vida me concederá para relembrar da infância dos meus pequenos.
Os netos são a oportunidade de experimentar a maternidade suave, aquela em que o amor não carrega tanta responsabilidade, repleto de grandes memórias e que a maturidade já fez com que você entenda que não dá pra haver julgamento quando se fala em maternidade.

Nana.

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Sobre ser mãe solo

Eu não desejei ser mãe solo. Acredito que a maioria delas também não desejou criar um filho sozinha. Por mais que a guarda seja compartilhada/alternada, quando você está com o seu filho, são vocês e ponto. Não tem um companheiro(a) para dar apoio e suporte. Sabe, não é uma jornada nada fácil, e eu estou experimentado-a dia-a-dia.

Sei que ainda está recente, mas não tem um dia que eu não me lembre que estou sozinha com meu pequeno. Por mais que eu possa contar com a minha mãe, com a minha irmã ou com a minha ex-sogra. Eu sinto que agora somos eu e ele e isso demanda certa força interior e psicológica para dar conta de tudo sem o pai do meu filho(a).

Existem diversos motivos para uma mãe estar solo: às vezes foi escolha dela própria, talvez ela tenha conseguido se livrar de um relacionamento abusivo, talvez ela tenha sido abandonada ou até mesmo escolheu desde o início ser mãe solo, mas a verdade é que não é NADA fácil.

Inicialmente tudo se ajeita e nós mulheres temos a sensação de darmos conta de tudo sozinhas (afinal, a maioria de nós já cuidava sozinha mesmo quando tinha um companheiro/marido em casa!). Mas o tempo passa, as noites cuidando do filho doente, os dias em que estamos doentes e só precisamos que alguém cuide nós ou mesmo os dias que bate a neura de estar sozinha e o psicológico abalado fala mais alto.

Sim, nos sentimos fracas, cansadas, abandonadas e muitas vezes com a sensação de que não vamos dar conta, principalmente se o pai da criança não “chega” junto. Isso de certa forma nos abala por saber que não podemos contar com quem ajudou a gerar aquela vida. É triste, é frustrante, mas é a nossa realidade.

Apesar de sermos mais fortes do que imaginamos, nós não somos mulheres maravilha… Não! Temos dias de fraqueza, de tristeza, de arrependimentos e de carência, principalmente. É importante falarmos dela, falarmos das dificuldades e desmistificar a mãe sozinha que cria os filhos com força e garra, sem tropeços. Temos muitos e a cada dia vamos sobrevivendo a esse turbilhão de sentimentos que é ser mãe sozinha.
Tenho encontrado apoio em um grupo de mãe solos que, apesar de ser virtual, as mães se encontram, fazem amizades, uma ajuda a outra além das palavras, e, principalmente, a empatia dessas mulheres que criam seus filhos sozinhas é fundamental. A gente acompanha cada história de vida, cada mulher guerreira, cada mulher com que eu não tenho adjetivos para descrever, o máximo que consigo expressar é: elas são FODAS! E é nesse apoio e com a família bem próxima que vou sobrevivendo ao primeiro ano sendo solo…

Lilica.

Cria seu filho sozinha? Leia aqui.

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Não serei pequeno para sempre, mamãe

Aproveite, mamãe, aproveite a minha infância.

Crescerei rápido, mais rápido do que você imagina. Você não vai se dar conta disso.

Não será para sempre que você vai se levantar durante as noites para me acudir quando choro porque estou simplesmente com saudades suas ou porque quero receber seus abraços e do papai para espantar os meus medos.

Às vezes, quando passeamos juntos, meus pés, ainda tão pequenos, se cansam de andar e por isso é que eu peço que me carregue. Eu sei que você também está cansada, mas aproveite enquanto eu sou pequeno, pois em breve crescerei e já não precisarei mais de seus braços.

Outras vezes, vou dormir dentro do carro enquanto voltamos para casa e precisarei do seu ombro para que me leve, ainda dormindo, para a minha caminha. É um dos momentos que mais me sinto conectado com você, pois dormirei em seus braços.

Em pouco tempo, mamãe, você não terá mais que limpar o meu rostinho sujo de sorvete de chocolate. Esse rostinho que sempre te faz rir quando estou sujinho.

Sabe, às vezes choro e fico triste porque vocês não me dão o que eu quero, mas tenha paciência comigo, porque estou aprendendo a ter o meu próprio caráter. Por isso, me oriente, me ensine, mas não grite comigo ou me bata por isso.

E lembre-se, que os seus beijos mágicos consertam tudo.

Não serei pequeno para sempre, mamãe, mas te garanto que quando eu crescer, continuarei te amando.

 

Publicado originalmente em Mimitos de Mamá. Texto de Johannes Ruiz. Tradução e adaptação livres: Mãe Só Tem Uma. Os direitos Autorais no Brasil são regulamentados pela Lei 9.610. A violação destes direitos está prevista no artigo 184 do Código Penal. Este artigo pode ser publicado em outros sites, sem prévia autorização, desde que citando o autor e a fonte.

 

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Relato do parto do Theo

Em um dos textos do blog, contei sobre a escolha do parto e a importância de se ter em mente que nem sempre a sua escolha poderá ser a ideal.

Agora, quero contar como foi o parto do meu filho. No dia 31 de maio de 2014, com 39 semanas e muita pressão por todos os lados para saber quando o Theo chegaria ao mundo (já que escolhi tê-lo por parto normal), saiu uma parte do tampão mucoso. Eu soube reconhecê-lo pois tem aspecto gelatinoso e uma amiga algumas semanas antes me havia contado que aconteceu o mesmo procedimento com ela.

Bem, o tampão saiu e contei apenas para a minha mãe e meu esposo, pois o médico me informou que depois que o tampão sai, o parto pode demorar até 15 dias para ocorrer. Como não queria mais pressão nos meus ouvidos, não divulguei a notícia aos familiares.

No dia 06 de junho de 2014, ao me levantar de manhã (por volta das 8h), senti um leve corrimento. Ao me limpar, reparei que outra parte do tampão havia saído e entrei em contato com o médico. Como eu não sentia dores e teria a consulta com ele no mesmo dia à tarde, ele me orientou que aguardasse e fosse ao consultório no horário marcado. Porém, uma hora depois comecei a sentir umas cólicas e me lembrei de que essas deveriam ser as famosas contrações. Pedi ao meu esposo que marcasse no relógio a constância e duração que estavam acontecendo. Voltei a falar com o médico e com essas palavras, me disse: “Sua voz está ótima. Se estivesse entrando em trabalho de parto, não estaria aguentando falar comigo. De qualquer maneira, vá para o hospital para que possam te analisar e eu te encontrarei por lá.” Daí, pensei: “Não sei, acho q é hoje que o pequeno Theo estreia ao mundo! Vou tomar um banho e me arrumar porque é HOJE!!!”

Saí de casa com o meu esposo e minha mãe, rumo à maternidade. Mas antes, entre uma contração e outra, aproveitei pra fazer uma chapinha e passar uma maquiagem básica pra esconder as olheiras (eu sei, você deve estar me achando louca. Todos acharam!! hahaha). Chegando ao hospital, dei entrada na emergência e eis que a médica me informa que já estava com 6 cm de dilatação. Como??? 6??? Não pode ser!! Esperava que estivesse no início ainda… Bateu uma tensão!!! Ninguém chegaria a tempo pra vê-lo no vidro da maternidade, tem que ligar pra todos os parentes que queriam rezar pra hora do parto, enfim… bateu uma tremenda ansiedade, porque faltavam poucos minutos para que eu pudesse encontrar o serzinho que mais desejei nos últimos meses.

Neste meio tempo, o médico chegou junto com a sua equipe e me disseram que começariam a me anestesiar pois eu já estava com 8 cm de dilatação em uma hora transcorrida desde que cheguei à maternidade. Quando recebi a anestesia peridural, eu disse que teria uns 50 filhos ao mesmo tempo. Que maravilha!! Não sentia nada! Apenas fazia a força que os médicos pediam, quando contraía a barriga. A ansiedade tomava conta de mim, pois o obstetra me disse que eu já tinha chegado aos 10 cm de dilatação, traduzindo, estava tudo pronto para que o Theo chegasse.

Mas o tempo passou, os médicos faziam os toques no momento adequado e eu sentia uma certa preocupação por parte deles. O meu tão sonhado parto normal estava com dificuldades de acontecer, devido a posição da cabeça do meu filho e minha bacia. Chama-se desproporção céfalo-pélvica. E aí, com todo o cuidado do mundo, os obstetras vieram me dizer que apesar de estarem muito felizes por poderem realizar um parto normal (quase raro hoje em dia, pois as mães preferem a cesárea), eles teria que recorrer a cirurgia pra que meu filho não entrasse em sofrimento, nem tivesse nenhuma complicação maior.

Confesso que fiquei frustrada. =( Foram 9 meses sonhando com esse parto, imaginando como seria, e, de repente, descubro que não conseguiria. Mas disse a eles que fizessem o melhor pro bebê e para mim.

Depois que chegamos ao centro cirúrgico, tomei uma nova anestesia (a raquitidiana) para realizar a cirurgia cesariana. Neste momento, já estava concentrada (mentira!!! Estava tagarelando com os médicos sobre meus últimos “desejos alimentares” de grávida) e aí escutei o médico dizendo para mim: “Se prepara, Aiga.” Ahhhh!!! O coração parou!! Sim, tenho certeza de que ele parou por um instante que para mim durou um infinito de tempo, até que eu ouvisse a melhor melodia do mundo: o chorinho do Theo, e até que eu sentisse aquela mãozinha tão delicada e molhada tocando o meu rosto. As lágrimas eram incontroláveis e eu dizia: “obrigada, Deus! O Theo chegou. Filho, eu te amo, te amo muito!” (pausa: preciso secar minhas lágrimas que surgiram ao relembrar este momento).

De fato, a escolha do parto não dependeu apenas da minha escolha, mas independente de como ele chegou, a emoção de saber que fui capaz de gestar por tantos meses, de saber que eu não estou mais só neste mundo e que agora teria que ser muito mais responsável do que antes, arrebatam o coração e pensamentos.

E foi assim que todos os dias 06 de junho passaram a ser mais importantes na minha vida.

E com você, como foi o seu parto? Divida conosco a sua experiência.

Beijos carinhosos,

Nana

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Contrato de maternidade

 

Essa semana, entrei em um desses sites que temos que nos cadastrar e aceitar os termos de compromisso. Não li as regras, por preguiça de ler as letras minúsculas, falta de tempo e ansiedade em resolver logo a minha situação. À noite, quando fui dormir, me lembrei do que aconteceu e estava pensando que, no fundo, a maternidade é como esses sites que tem o termo de compromisso. Você acessa o você o site, não lê os termos e no final clica em: “Li e aceito os termos do contrato”. É exatamente assim. Por mais que você imagine o que passará, você nunca terá certeza até que passe.

Não entendeu? Pensa só comigo!

Quando a gente pensa em ter filho, sempre imaginamos a parte glamorosa: barriga, fotos do parto, mãe emocionada com cada descoberta do bebê, festas de aniversário, alegria por ter alguém com quem você vai se preocupar por toda a vida e afins, mas, no fundo, ninguém se lembra da parte escura da maternidade. Aquela dos bastidores mesmo que ninguém posta em rede social, que muitos dizem que é frescura e não tem nenhum glamour.

Essa parte pra mim são como as letras do contrato que são pequenas e que dão uma preguiiiiça só de pensar em ler. O que é que a gente faz? Vai lá e clica em “ACEITO”.

Ninguém leu lá nas regrinhas seus direitos e deveres. Ou leram? Quer ver só um exemplo de quando me dou conta de que estava tudo escrito mas eu não li?

Tem dia que chega à noite, eu me deito na cama exausta e, quando dá tempo, paro pra pensar no meu dia e me bate uma sensação de ter fracassado nas minhas metas.
Eu quis ter ficado mais tempo com o meu pequeno, mas os afazeres diários não me permitiram. Foi o trabalho, a lista de compras, as contas a pagar, foi ligar pro pedreiro, resolver problema do condomínio, fazer compras, ir à reunião de pais na escola, escrever textos pro blog, corrigir provas, montar aula, lançar notas, ufa… Meu dia poderia ter 48 horas, mas, é, não tem. Essas mil atividades me fazem lembrar de que não pude ficar com o meu bebê o tempo que eu acho que ele precisa ao meu lado. Estava lá no contrato que eu deveria aprender a fazer 1000 atividades ao mesmo tempo, mas eu não li.

Durante o dia, quando fico com o meu anjinho, o cansaço me consome. É tanta energia em um ser tão pequenino que não sei como é possível! É um sem fim de anda atrás do pequeno, bota todos os objetos pra cima para que ele não tenha fácil acesso, fala ‘não’, ‘não faça’, ‘solta isso’, ‘deixa aquilo’, ‘devolve isso pra mamãe’… São gritinhos, chororô, tudo isso cansa, cansa a rotina, cansa o desgaste. Isso deveria estar lá no contrato, mas eu não li.

Tem dia que eu só desejava dormir até meio-dia, sem me preocupar com nada. Tem vezes que eu só queria achar a minha sala lindinha como antes. Tem momentos que eu só esperava que o bebê tivesse um botão de off pra desligar nas horas dos escândalos. Há vezes que eu só queria voltar a uns minutinhos da minha vida sem filhos, sem as preocupações de antes e poder passar a tarde toda na praia batendo um bom papo com as amigas.
Mas aí vem a danada da culpa, porque mãe que não carrega culpa, não é mãe, não é? Eu acho que essa daí, já vem junto com a barriga do bebê. Fiquei pensando, tava lá no contrato: “A partir de agora, conhecerás o verdadeiro sentimento de culpa por toda e qualquer coisa que lhe aconteça.” E o que eu fiz? Não vi essa cláusula.

Eu juro que deveria ter lido uma parte do contrato que dizia que dormir se tornaria um artigo de luxo, que o cansaço estaria sempre sobre os meus ombros e que mesmo o melhor corretivo facial não conseguiria esconder todas as olheiras que carregarei nos primeiro anos, mas não li.

E eu estou certa de que tinha um outro item que diria que além da culpa, a dúvida me faria uma companhia constante sobre como eu estou criando o meu filho: será que está certo? Será que devo permitir ou proibir isso ou aquilo? Mas o Beltraninho filho da Mariazinha não faz o que o meu está fazendo… é, e eu não li…

Dentre tantas outras cláusulas que poderia enumerar, tem uma que deve estar lá que se chama: Sobre os direitos da maternidade. E essa eu já conheci. Deve dizer assim: é seu direito emocionar-se com pequenos atos, descobertas, novidades, conquistas do seu filho.

É seu direito se sentir a melhor e mais importante de todas as mulheres cada vez que seu filho te trouxer um presentinho que ele mesmo fez ou disser: “Mamãe, eu te amo”.

É seu direito passar a noite admirando a cria, extasiada com a velocidade com que ele cresce e pensar que ele é o melhor presente do mundo.

É também direito da mãe saber que por algum tempo da vida dele, você será o centro do universo.

E disso tudo, quer saber? Eu acho que foi bom não ter lido nenhuma cláusula, descobrir na base da surpresa torna a maternidade muito mais emocionante e deliciosa. Cada fase é repleta de novidades e conquistas pessoais que nos fazem amadurecer diariamente.

E por aí, alguém já leu o contrato inteiro?

Beijos carinhosos,

Nana

 

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O que ninguém te conta sobre a maternidade

Amiga mãe ou futura mãe,

Escrevo hoje para termos uma conversa franca, sobre um assunto que quase ninguém fala ou não gosta de falar: o desgaste da maternidade.

Se você é mãe de primeira viagem ou está tentando engravidar, precisa ler isto! Se você já é mãe de um filho(a) ou mais, vai se reconhecer em muita coisa nesse texto.

Mesmo depois de mais de 1 ano do nascimento do meu filho, eu não consigo entender o por que de não se falar abertamente ou o contrário, de se falar de forma fantasiada a experiência da maternidade.

A maternidade não é algo simples, é bem complexo: envolve pelo menos dois personagens de forma intensa: a mãe e o bebê. Uma mãe “ingênua” em relação a tudo o que está por vir, um bebê que está descobrindo o mundo, está sentindo como é pertencer a um corpo que está em desenvolvimento e muito limitado ainda.

Eu tive algumas experiências bem próximas com bebês e crianças ao longo dos meus 30 anos, mas mesmo assim, nenhuma delas foi o suficiente para saber o que era ter um bebê nos braços, 24 horas por dia, chorando, faminto, cheio de cuidados especiais.

Quando nasce uma bebê nasce uma mãe desesperada, que mesmo tendo lido muito, se informado e feito cursos de cuidados, irá sentir insegurança para amamentar nas primeiras vezes, para dar banho, para deixa-lo dormindo em seu berço sem a preocupação dele estar respirando.

A maternidade não é o mar de rosas que muitos falam e mostram por aí. Primeiramente, só sabe o que é a maternidade quem passa por ela, então amigas,(sem filhos) tios, vizinhas que dão pitacos podem até ter boa vontade para ajudar mas cuidar de um bebê não é algo simples, principalmente no primeiro mês do pós parto que pode bater insegurança, tristeza e até mesmo depressão faz parte.

Você irá engordar na gravidez e não necessariamente irá conseguir perder peso rápido, você irá sentir dor ao amamentar as primeiras vezes, você irá sentir o peso da culpa em alguns momentos que não conseguir fazer o que planejou e acredita para a criação do seu filho. Você irá se sentir sozinha muitas vezes, mesmo tendo seu companheiro, mãe e sogra por perto. Nos primeiros dias depois do nascimento do bebê você se sentirá sem energias com a privação do sono, mal conseguirá tomar um banho decente e tudo isso e mais um pouco irá fazer sua cabeça pirar.

Ser mãe não é tudo de maravilhoso, principalmente nos primeiros meses, no qual você e seu bebê estão se conhecendo e ajustando a uma rotina.

Ser mãe é desgastante, é abrir mão de um monte de coisas, é sentir o peso do cuidado de alguém tão pequeno e indefeso e sentir não “dar conta”.

Ser mãe é ter que ser forte mesmo sem ter essa força toda.

Ser mãe é abdicar do trabalho por conta própria ou mesmo ser demitida na volta da licença maternidade (pois mães faltam mais por causa dos filhos doentes).

Ser mãe é se anular. É se sentir pirada, é se questionar aonde estava com a cabeça quando pensou em ter um filho.

Em contrapartida, apesar de todas as dificuldades, de todas as vezes que abrimos mão de nós, apesar do cansaço, do sono acumulado, existem muitos pontos positivos, acredito que mais do que negativos, senão não teríamos o segundo, terceiro filho… Filhos nos ensinam a amar de forma transcendental, nos entregamos totalmente e recebemos muitos carinhos, beijinhos, dengos. Nós somos o mundo para eles e eles são nosso mundo.

Não, eu não estou te desencorajando e nem dizendo que não vale a pena ter filhos. O texto de hoje pretende mostrar e desmistificar a “maravilhosa” vida de uma mãe. Pois ser mãe pode ser muito desgastante e nós temos que falar sobre isso ao invés de fingir um momento mágico e maravilhoso.

De alguma forma, passamos por tudo isso e saímos, não ilesas. Saímos mais fortes, mais maduras, sabendo o que realmente importa para nós a partir de agora, mas não é nada fácil, nunca foi e nunca será. Ser mãe é isso.

 

Com carinho,

Lilica.

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10 bons motivos por ter me tornado uma pessoa melhor com a maternidade

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Refletindo um pouco sobre mim, sobre minhas ações e o que estou me tornando depois da maternidade tenho chegado cada vez mais a conclusão que ser mãe tem sido um desafio constante para mim e ao mesmo tempo tenho me tornado uma pessoa melhor. Afinal um intensivão com uma pequeno ser, que requer muitos sacrifícios nossos, muita atenção e dedicação não é moleza não.

Então elenquei 10 motivos porque eu me tornei uma pessoa melhor com a maternidade:

1 – Minha alimentação melhorou: não que eu comesse mal, sempre comi legumes, frutas, verduras mas também muitas porcarias! Com a gravidez dei uma maneirada nas porcarias, na amamentação continuei tentando equilibrar mas quando meu filho começou a introdução alimentar refleti que não queria criar um filho obeso ou com problemas de colesterol por falta de incentivo meu a comer alimentos saudáveis. Então tenho comido bem menos alimentos processados e industrializados, tenho ido muito na onda das frutas e legumes, que é o que o meu bebê mais consome.

2 – Não julgo mais ninguém: já julguei muito os pais em geral quando via alguma cena de birra ou pirraça, mas depois que me tornei mãe, isso mudou bastante. Até porque, temos telhado de cristal! Estou vendo por outro angulo a mesma situação de antes.

3 – Desenvolvi muito mais paciência: eu sou professora do ensino médio, trabalho com adolescentes, mas depois que me tornei mãe, parece que essa paciência triplicou. Ainda estou longe do ideal mais já melhorei bastante!

4 – Penso de forma mais consciente no Planeta que vou deixar para meu filho: sempre me liguei as causas ambientais. Já sou contribuinte de uma ONG que ajuda a preservação da natureza há anos mas depois que meu bebê chegou ao mundo, penso muito como o mundo estará quando ele tiver a minha idade. Será que terá água potável para todos do planeta? E o lixo, como faremos se consumimos cada vez mais? Tenho pensado nisso e tentado me engajar mais nessas questões ambientais.

5 – Desejo um mundo melhor: vivemos em um mundo onde ainda existem guerras, assassinatos, estupros, escravidão e violência contra as minorias (mulheres, homossexuais, negros e índios). Não gostaria que meu filho vivesse em um mundo com intolerância religiosa, étnica ou racial. Penso muito mais sobre isso atualmente e tento de alguma forma introduzir esses assuntos em sala de aula.

6 – Me tornei menos egoísta: eu vivi até os meus 30 anos voltada para mim. Tudo dependia do meu desejo, da minha vontade, dos meus planos pessoais. Aí chegou o Antonio e TUDO mudou. Agora eu estou em segundo plano, e aprendendo muito com isso.

7 – Falo menos palavrão: quando estou com os amigos, familiares e pessoas íntimas, costumo falar palavrões ou até mesmo quando algo sai errado ou estou nervosa. Mas sinceramente, não desejo que meu filho de poucos anos de idade saia por aí falando um monte de palavras com significados fortes sem entender o que ele está querendo dizer. Então estou me policiando para falar menos, bem menos palavrões.

8 – Sou mais solidária: me solidarizo de forma muito mais forte atualmente do que antes da maternidade. Outro dia, vi um bebê de um pouco mais de 1 ano chorando de fome, com a avó na rua. Não contive as lágrimas e só parei de chorar quando entrei no mercado e comprei uma lata de leite para sanar a fome daquela criança. Imaginei meu filho naquela situação.

9 – Meu consumo (coisas para mim) diminuiu: estou comprando bem menos, até porque o foco agora não sou mais eu e sim meu pequeno Antonio. Mas mesmo para ele, tenho consumido de forma racional, utilizando inclusive roupas e brinquedos de terceiros, comprados em brechós ou reutilizado de amigas que tiveram filhos antes de mim.

10 – Sou mais feliz: através dessas pequenas mudanças que citei acima, me sinto tão mais feliz, mais completa. Parece que agora eu tenho um novo motivo para seguir em frente e sorrir, e achar que o mundo pode ser um lugar melhor sim. Por tudo isso e pela existência do meu pequeno que me alegra diariamente eu sou bem mais feliz do que antes de sua chegada.

 

E vocês e mamães? Se identificaram com alguns dos itens acima? Tem outros itens que não citei? Então conte para a gente!

 

Lilica.