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Quando o meu filho adoeceu

Quando o meu filho adoeceu

Minha carta é pra você, mãe como eu, que já teve o seu filho com qualquer tipo de doença, seja uma febre, uma infecção ou até alguma doença mais séria. Independente do tipo de enfermidade, o sentimento de nós, mamães, é o mesmo.

Em um dia que meu filho estava com um febrão de quase 41 graus, entre um cochilo e outro em meia a vigília da temperatura, tantos pensamentos apareceram em minha cabeça que precisavam ser escritos, eternizados e compartilhados entre outras pessoas que dividem realidades semelhantes a minha.

Eu consegui sentir algumas sensações únicas que nunca me havia dado conta antes, como por exemplo: sensação de impotência.

Não importa se o seu filho está nas mãos dos melhores médicos do mundo, nos melhores hospitais, sendo medicado com os remédios mais avançados que existem. A sensação de impotência diante do sofrimento ou da doença do seu filho é única. Não te resta nada além de confiar que você já está oferecendo o melhor que pode a ele e torcer para que o seu organismo reaja bem o quanto antes. Até lá, somente a sensação de que você não pode curar sozinha o seu filhote é o que você sente.

Além disso, tive outra sensação: medo. Impressionante como é só você se tornar pai e mãe que medos bobos até os mais bizarros te acometem. Nos momentos acordada na madrugada, ficava pensando em tanta coisa ruim que poderia acontecer ao meu pequeno, tentando com o pouco conhecimento de mundo médico que tenho (e até com o Google!) prever o que o levaria a estar enfermo. A gente tem medo de que seja algo sério demais, algo sem cura, algo que nos faça perdê-los… a gente sente medo! Mas isso eu não tinha coragem de contar pra ninguém.

Agora, descobri também que eu posso ser super: super-mãe, super-mulher e vencer as barreiras do sono, do cansaço, da fome, lutar contra o meu organismo e me esquecer até mesmo das minhas necessidades mais básicas em prol de um filho. Naquele momento, eu preciso ser uma super-heroína pra acalmar a dor de uma injeção, o incômodo de um remédio amargo, o choro por uma parte do corpo machucada. O nosso beijo tem poder mágico e curador. O nosso abraço é como um espaço único de acolhimento em que, se pudéssemos, evitaríamos qualquer mal. Quem nunca precisou do colinho de mãe? E é nesse colinho que nosso filho tem a certeza do abrigo e da proteção.

Entendi também que na hora do desespero, da desolação, do cansaço, da falta de reação aos medicamentos, a gente busca a fé. Essa fé surge como um apoio, um bálsamo para os nossos corações já cansados e sem expectativa de que aquele remédio fará efeito, de que nossos pequenos não terão sequelas, de que tudo vai se resolver logo, de que ao acordarmos eles estarão saudáveis e brincalhões. A fé é única, individual, mas independente de por qual meio você a busca, sempre há uma necessidade de conexão com algo superior (que pra muitos pode ser referido com diferentes nomes, inclusive Deus), mas que seria capaz de interferir e aceitar os seus pedidos de amor por um filho.

E por último, entendi que os significados de empatia e altruísmo assumem a sua forma mais plena quando uma mãe ou pai veem o seu bem mais precioso sofrendo. A cada remédio que ele tinha que tomar, cada tremer de febre, cada dor que ele se queixava, cada vômito que ele teve, eu queria que fosse em mim, que fosse no meu corpo. Desejava que ele não sentisse nada, absolutamente nada, porque sendo em mim, eu seria mais forte, eu aguentaria com mais garra e o pouparia de sofrimentos que ainda tão pequeno já teve de passar.

Cada reflexão que tive ocorreu entre um cochilo ou um leve descansar enquanto passava a noite zelando pelo seu sono e sua saúde. Acredito que muitas mães e pais passem por sensações como a minha e cada noite, antes de dormir, agradeço imensamente a saúde do meu filho. Nenhum bem, nenhum presente será melhor na vida dele do que a sua saúde perfeita.

Com carinho,

Nana.

 

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