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Mitos e verdades sobre o atendimento odontológico à gestante

Mitos e verdades sobre o atendimento odontológico à gestante

O período gestacional é algo que acontece na vida de grande parte das mulheres em idade adulta, mas continua gerando tantas dúvidas, não é mesmo? Algo que gera muita dúvida (quando se precisa, especialmente) é o atendimento odontológico à gestante. Gestante pode ir ao dentista? Pode tratar canal? Pode tomar anestesia? Pode fazer raio-x? Tentei resumir aqui um pouco das dúvidas que venho escutando nos últimos anos de profissão, para tentar sanar algumas delas. Lembrando que aqui, além de uma dentista, está uma mamãe de um esperto menino, e GESTANTE de uma esperada menina. A sua preocupação também é a minha, ok?
1- A mulher está mais susceptível a problemas bucais somente por estar grávida?
Não exatamente por estar grávida, mas em decorrência de outras alterações orgânicas (hormonais, gástricas, etc).
Alterações hormonais facilitam o aparecimento de lesões gengivais chamadas “granulomas piogênicos”, mas essas dependem de placa bacteriana para surgirem. Porém muitas mulheres encontram dificuldade em fazer a higiene adequadamente durante a gestação, devido a enjoos, então com o déficit da higiene de fato a placa bacteriana aumenta.
Outra alteração bucal encontrada não raramente é o aumento da erosão ácida dentária, devido a períodos de náusea e vômitos prolongados.
O meio bucal também fica bem favorável ao aparecimento de cáries (repito, desde que a higiene não esteja sendo feita adequadamente) pois com a compressão do estômago, a gestante tende a comer mais vezes por dia, fracionadamente, alterando muito o ph bucal a todo momento, as bactérias adoram isso.
Até mesmo a compressão pulmonar pode dificultar a respiração e tornar a gestante em uma respiradora bucal, ressecando a boca, e não deixando que a saliva faça seu papel de proteger os dentes.
2- Tem problema tomar anestesia dentária?
Um dos grandes medos da gestante, não é mesmo? Via de regra, para qualquer medicação durante a gestação, temos que estudar o custo-benefício e os riscos da medicação ultrapassar a barreira transplacentária.  Os anestésicos locais ao longo dos anos vêm sendo estudados e se mostraram seguros mesmo a gestantes no primeiro trimestre. O que é importante sempre ter cuidado é com a dose, que deve ser sempre o menor quanto possível, e do tipo de anestesia, que ofereça melhor segurança e conforto para a paciente. A adrenalina decorrente da dor durante o atendimento se mostra mais prejudicial ao feto do que o medicamento em si. Consulte seu dentista qual será o tipo de anestésico que será utilizado na consulta e discutam com o obstetra antes da realização da mesma.
3- Pode fazer radiografia intra-oral?
Vemos com frequência tanto gestantes quanto obtetras muito receosos com relação à exposição da grávida e do feto à radiação intra oral. O ideal, na verdade é evitar exposição à radiação desnecessariamente A QUALQUER PESSOA, gestante ou não. Porém, quando necessária, pode ser realizada a radiografia sem preocupações desde que adotando medidas de segurança já conhecidas pelos cirurgiões dentistas, como uso de filmes ultra rápidos, filtro de alumínio, posicionadores, avental de chumbro, além do uso de um aparelho regularmente calibrado. Para se ter uma ideia, é necessária a exposição de 5 rads para o risco de má formação fetal ou aborto espontâneo, sendo que uma tomada radiográfica intrabucal corresponde a 0,01milirads de radiação, o que corresponde a menos radiação do que a radiação cósmica que recebemos diariamente .
4- Problemas bucais na gestação podem acarretar algum prejuízo ao feto?
Hoje em dia temos conhecimento que doenças periodontais podem sim ter relação com nascimento de bebês prematuros e bebês de baixo peso.
5- Existe época ideal para se tratar na gestação?
Sim. Costumamos recomendar o tratamento odontológico durante o segundo trimestre, pois o desconforto dos enjoos já terá passado (quase sempre né?) e também não será tão desagradável passar um tempinho deitada como seria no último trimestre com aquele barrigão! Porém, em caso de emergência o atendimento pode ser feito a qualquer momento. Acreditam que já tratei canais de uma moça com 38 semanas de gestação? Mas ela estava com dor e não podia deixar para depois do parto (foram 4 dentes!). Sempre a conversa entre dentista e obstetra é fundamental nesse momento. Lembre que depois do parto será bem difícil você se cuidar, pelo menos por um tempo.
6- Posso tomar qualquer medicação?
Não. A maioria dos obstetras recomenda o paracetamol como analgésico de escolha durante a gestação. Alguns variam um pouco disso. Em caso de necessidade, não é proibido tomar antibiótico, porém SEMPRE se faz necessária a liberação pelo obstetra. Então, por mais bem intencionado e atualizado que seja seu dentista, antes de tomar qualquer medicamento dê aquela ligadinha para o médico que está acompanhando sua gestação.
E, você, mamãe, se prepare pois as dúvidas odontológicas só estão começando. Você sabia que a amamentação é importantíssima para desenvolver os maxilares do seu bebê? No primeiro ano de vida, ela ajuda a treinar a respiração nasal e pode prevenir muitos problemas de mordida no futuro. Se acostume pois as conversas com o dentista agora serão bem longas!
Até a próxima!

Dra Livia Mayer

Endodontista Ortodontista CRO-RJ 32763

Graduada pela UFRJ/ Especialista em Endodontia pela UERJ/Especialista em Ortodontia pela INCO

Telefone: (21)3342-3931

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