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Infantolatria: você sabe o que é?

Infantolatria: você sabe o que é?

Olá, papais. Podemos começar o texto de hoje com umas perguntinhas:

Nas últimas vezes, você e/ou seu companheiro/a:

  1. perceberam que não têm assistido mais nenhum canal de tv que gostam e que os programas visto são sempre os infantis?
  1. têm o final de semana focado em como agradar o seu filho(a) e entretê-lo(a)?
  1. têm perguntado ao seu filho(a) o que ele/ela gostaria de comer no almoço ou na janta?
  1. deixam que seu filho(a) escolha as músicas que vão ouvir dentro do carro?

Bom, se você disse “sim” para a maioria das perguntas e se o seu filho já tem mais de dois anos, ATENÇÃO: este texto pode ajudar a fazer com que você reflita sobre algumas posturas que está tendo.

Os exemplos que mencionei são casos que começam a se relacionar a INFANTOLATRIA. Esta palavra diferente significa um comportamento da família que tende a colocar os filhos no centro de tudo o que vão fazer, ou seja, a vida familiar gira em torno da criança, é a criança quem decide. Os membros familiares passar a ser “súditos” do pequeno rei.

            E como surgiu isso?

            O processo de mudança nos conceitos da família se inicia no século XVIII e chega ao século XX com a noção de “religião da maternidade”, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. E com isso, instituiu-se que a boa mãe foi, é e será responsável e culpada por tudo o que o acontecer na vida do seu filho. Segundo Marcia Nader, psicanalista da USP e autora do livro “Déspotas Mirins – O poder das novas famílias”(editora Zagodoni), a infantolatria é “a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança”. Segundo a psicanalista, um bebê não é capaz de determinar como ocorrerá a dinâmica familiar, mas se isto ocorre, é porque os pais permitem.

Veja bem, quando um bebê nasce e chega à sua casa ele REALMENTE precisa de muitos cuidados, precisa que o entendam, descubram o que ele quer ou sente. Daí, é necessário que a casa se adapte as necessidades dele. Afinal, ele ainda não se reconhece como ser e precisa que nós o ajudemos. É importante a nossa atenção para que facilitemos a troca dele com o mundo. Por isso, ele acaba sendo o centro das atenções, mas CUIDADO este período não deve se estender por muito tempo, no máximo até o final do primeiro ou segundo ano de vida, em que a criança já é capaz de entender que ela forma parte de uma família e é apenas mais um membro dela. E com isto, o filho tem de estar adaptado à dinâmica da casa e à rotina dos pais.

Mas, você pode me dizer que ao permitir que a criança (já maiorzinha, com 3, 4 anos) tenha o poder de escolha, se sentirá mais amada e respeitada nas suas vontades, e, com isso, será mais segura para lidar com o mundo adulto, afinal, suas escolhas e opiniões são sempre consideradas com quem convive com ela. Será mesmo? Olha, os especialistas afirmam ao contrário: “O filho que fica no nível dos pais, acaba criando para si uma falsa sensação de poder e autonomia que, em um momento mais adiante, se traduzirá em uma profunda insegurança. Ele sentirá a falta de uma referência forte de segurança de um adulto em sua formação.”, diz a psicóloga Vera Blondina Zimmermann, da Unifesp.

A criança que não entende que o mundo não vai parar para atender as suas vontades ficará muito mais vulnerável e terá muitas dificuldades para aprender a lidar com as frustrações.

O mais difícil é que os pais consigam observar que estão criando um filho como um rei. Até porque os filhos não vem acompanhados com manual de instrução e nós, pais, achamos que estamos fazendo sempre o melhor pra eles.
Se você chegou até aqui se sentindo culpado, calma! Eu mesma já vesti a carapuça deste texto algumas vezes. É assim mesmo, sem a gente se dar conta, já estamos colocando os filhos no centro de tudo.

  E como saber se estamos vivendo em casa a infantolatria?

A pequena mostra de infantolatria começa justo quando a criança entra na educação infantil. Ao observar que os colegas não jogam o jogo que ela quer ou que ela deve esperar para realizar tal atividade, gera nela uma frustração por sentir que todos não a atendem no seu tempo. Daí, as reclamações das escolas para as famílias de que o aluno tem dificuldade em cumprir regras do grupo ou se relacionar com os colegas, pois os outros não gostam de ficar perto daquele que quer mandar e dar ordens o tempo todo, que tem dificuldades para ceder.

Para isso, relacionei algumas características que podem nos ajudar a avaliar se nossos filhos estão tendo essa postura.

  • A criança que decide qual o programa da televisão. Ninguém e em hora nenhuma tem a possibilidade de assistir outro programa que não seja a escolha dela.
  • Ela decide os programas da família: onde vão comer, onde vão passear, o que farão.
  • Briga na escola o tempo todo para que os seus desejos sejam atendidos (tem de ser a brincadeira dela ou com os brinquedos dela).
  • A criança escolhe o que vai vestir ou o que vai comer nas refeições.
  • Ela não tolera nenhum tipo de frustração e não consegue lidar com o “não”.

 

   Quais as consequências para esta criança no futuro?

Ela poderá ter dificuldades em vivenciar o mercado de trabalho com colegas ou chefes, já que não conseguem ser subordinada as regras; tenderão a ser frágeis e vulneráveis pois não viveram as pequenas frustrações que fazem parte do processo de amadurecimento do ser; terão dificuldade em se relacionar com as pessoas, pois o meio tende a repelir quem não é flexível e só quer mandar.

Tem como mudar e melhorar?

Sim, claro! Mas quanto mais tempo deixar pra mudar de atitude, mais difícil se torna. É como nós mesmos quando queremos mudar uma postura ou conduta, temos muita dificuldade em alterá-la. Pense naquela dieta que a gente sempre posterga pra segunda-feira, porque lá no fundo não queremos sair da nossa zona de conforto.

Primeiro, é necessário identificar se o que a criança pede é um desejo dela ou seu (como pai). Às vezes, o desejo não é dela, mas nosso de pais e mães e transferimos para ela.

Depois, refletir: isso é uma necessidade? Por exemplo: esse tipo de comida específica, é realmente necessária ou apenas uma vontade? Atenção, não é que você não possa ceder às vezes, mas antes reflita.

Além disso, trate tudo na base do acordo com ela. Combine antes de sair tudo o que vai acontecer no local, por exemplo: se você vai ao parque, diga a ela todas as coisas que devem acontecer, como: você vai ver os animais, depois vamos tirar algumas fotos, lanchar…” e vá lembrando-a do combinado ao longo de todo o dia. Quando você não estabelece o que acontecerá, a criança vai chegar ao local, começará a pedir um monte de coisas que você nem sempre pode ou quer comprar, você pode se aborrecer por causa disto e não vão curtir o momento. Ao contrário, o programa vai ser bem desgastante.

Não se esqueçam: é fundamental que haja a intervenção da família para evitar a infantolatria. Os pais devem dialogar entre si e terem posturas parecidas (senão um desautoriza o outro), antes das crianças estarem presentes e definir os limites que serão impostos com os seus filhos.

Lembrem-se que a criança é parte da família, não o membro principal. Haverá momentos em que ela será atendida ou não, bem como qualquer outro personagem familiar e nem sempre terá maturidade para fazer algumas escolhas.

Se você ainda tiver alguma dúvida, sugiro que busque uma ajuda especializada para que possa orientar da melhor maneira como auxiliar seu filho e sua família na criação dele.

 

Beijos carinhosos,

Nana

 

Fontes: http://novotempo.com/ntkids/videos/infantolatria-o-que-e-e-como-identificar/

http://delas.ig.com.br/filhos/2014-03-22/infantolatria-as-consequencias-de-deixar-a-crianca-ser-o-centro-da-familia.html

4 thoughts on “Infantolatria: você sabe o que é?

    1. Obrigada, Raquel, pelos comentários.
      De fato, a linha entre o amor e a infantolatria podem ser tênues e nós, papais e mamães, podemos acabar errando ao querermos acertar.
      Bjs, Nana.

  1. É um bom texto, com exceção da parte alimentar, que discordo no sentido de que ninguém deve ser forçado a comer o que não quer, e é possível haver um equilíbrio entre o que é preciso ou há disponível para se comer, e o que a criança gostaria ou tem aversão a comer.
    No entanto, o texto claramente se aplica exclusivamente às crianças típicas, ou seja, sem transtornos ou síndromes neurológicas, psiquiátricas e outros casos especiais, pois crianças com autismo, por exemplo, especialmente do tipo Asperger, ou crianças com TDAH, têm um funcionamento neurológico atípico que gera difícil manejo de seu comportamento, de modo que acaba-se tendo que ceder muito mais do que se gostaria ou se acharia sensato no dia a dia com essas crianças. É preciso que textos que falem sobre dinâmica familiar e disciplina dos pais incluam ao menos alguma breve menção a esses casos atípicos, pois o que acontece é que educadores, escolas e até mesmo muitos psicólogos acabam achando que TODAS as crianças sem exceção funcionam sob as premissas endereçadas pelo texto, que reflete, na verdade, o padrão disciplinar vigente almejado. Isso gera um verdadeiro transtorno para os pais e as famílias dessas crianças especiais, que são cada vez mais comuns na nossa sociedade. Por exemplo, essas crianças têm extrema dificuldade em lidar com a frustração e em ouvirem ‘não’, assim como podem apresentar seletividade alimentar, ou seja, um desvio na percepção dos alimentos, de modo que, às vezes, acabe sendo preciso flexibilizar muito mais do que se julgaria adequado se levássemos em conta apenas uma criança sem esse tipo de transtorno do desenvolvimento. Sou psicóloga especializada em síndrome de Asperger e superdotação.

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