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FRATERNIDADE MATERNA

FRATERNIDADE MATERNA

Desde que me tornei mãe tenho percebido algo de peculiar entre as mães. É claro que aqui no texto irei generalizar para abordar o assunto, mas tenho consciência de que não é 100% regra.

Quando engravidei e tornei a notícia pública, comecei a receber uma enxurrada de conselhos e perguntas: quantos quilos já engordou? Faz exercício? Está com a pressão alta? Se alimenta bem? Qual será o parto? O pior é que essas e outras perguntas vinham de pessoas que muitas vezes eu não tinha quase nenhuma intimidade. Depois que o Antonio nasceu as perguntas e conselhos continuaram, sobre a educação dele, amamentação, peso, desenvolvimento.

O que me chamou atenção nesses dois momentos tão significativos da maternidade ( a gestação e os primeiros meses) é que dificilmente as mães conversavam para se ajudarem ou simplesmente ouvirem uma a outra. Fico com a sensação que existe uma competição implícita entre as mulheres, em especial entre as mães. “Meu filho não come açúcar, o meu nasceu de parto natural sem anestesia, o meu andou com 6 meses, o meu usa fralda de pano. Você não dá vitaminas para ele? Ele vai para a creche com 4 meses? Tadinho…”

Eu tive experiências pessoais um pouco diferentes (ainda bem!), uma amiga que teve bebê um ano antes de mim e minha irmã que teve o segundo filho um mês antes de mim, então eu estava afinada com elas. Trocamos muitas informações, anseios, dúvidas, medos, mas sempre respeitando uma a outra. Principalmente com minha irmã, que tivemos escolhas tão diferentes desde o começo da gestação e até hoje é assim.

Ao invés de competirmos quantos brinquedos têm nossos filhos, emprestamos uma para outra, ao invés de julgarmos a escolha da outra tentamos entender, ao invés de criticarmos procuramos uma palavra amiga para ajudar a confortar. Trocamos roupas, brinquedos, experiência e principalmente muito afeto.

Participo de alguns grupos de mães no Facebook e no Whatapp e a regra é essa, um pré-julgamento que não leva a nada, não nos fortalece, não ajuda uma a outra, não cria um laço forte em nossas relações. E o mais interessante é que poderia ser ao contrário, pois só sabe o que passamos diariamente com bebê pequeno ou na educação de nossos filhos é outra mãe que já passou ou ainda passa pelas situações parecidas que você.

Olha que interessante: mesmo que você não concorde com a atitude de determinada mãe, ouvir algo diferente do que você acredita te faz pensar, refletir por outro ângulo. Por esse motivo, e pelo fato de tentar respeitar ao máximo a outra pessoa que está do outro lado é que tento não julgar e por mais que meu íntimo faça isso, não torno público, guardo aquilo para mim, pois já disse que não faria muita coisa mas quando chegou minha vez, fiz exatamente igual.

Acredito que muitas vezes “condenamos” o que outra mãe fala ou faz não por maldade, mas por falta de reflexão e por falta de empatia (não nos colocamos no lugar dela por 1 minuto). Será que se meu filho fosse super ativo eu não deixaria ele ver TV por mais tempo? Será que se ele fosse chorão eu não daria chupeta mais vezes? Se eu não conseguisse cozinhar todos os dias não congelaria papinha ou daria papinha pronta?

A reflexão que trago hoje é como podemos, mães, conhecidas ou desconhecidas, nos ajudarmos. Como podemos conviver em harmonia e somarmos ao invés de nos dividirmos e muitas vezes começar uma competição boba por “melhores” escolhas. Afinal, estamos todas no mesmo barco: gestamos um pequeno ser, que irá nascer, precisará ser alimentado e educado da melhor maneira possível e tenho a certeza que cada mãe dá o seu melhor, mesmo que eu e você não concordemos como isso acontecerá.

Tudo na vida são escolhas e cada uma fará sua escolha baseada em seus princípios e convicções, quando julgamos alguém, estamos julgando o modo dessa pessoa pensar e viver. E como a maternidade é algo bem difícil de exercer, vamos com calma nessa caminhada. Juntas somos mais, somos mais fortes.

Com Carinho,

Lilica.

 

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