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Felizes para sempre? Até que um filho nos separe.

Felizes para sempre? Até que um filho nos separe.

Parte 1: Entendendo a crise

Se você tem filhos pequenos, provavelmente, notou que seu casamento já não é mais o mesmo. E você acha que isso só acontece com você? Na era em que a maioria das pessoas estampa sua felicidade nas redes, fica difícil imaginar que aquele mesmo casal vivência uma série de desafios. Mas olha, eu posso apostar que sim! Existem autores da psicologia que vão dizer: “não existe mudança mais profunda e desafio maior do que a chegada de um filho para uma família”. Então, se você está percebendo mudanças em seu casamento, saiba que são esperadas.

O primeiro passo para lidar com essas mudanças é compreender porque elas acontecem. Por isso, eu listei abaixo alguns motivos pelos quais os casais entram em crise, após a chegada de um filho:

Mudança de identidade: Com a chegada de um filho, homem e mulher passa a exercer um novo papel, de pai e mãe. Esse novo papel tem efeito sobre todos os outros. É muito comum, ouvir de pessoas que estão vivenciando essa fase que não se reconhecem mais. E o mais conflitante é você perceber que mudou, mas ainda não conseguir saber quem se tornou. Afinal, você está em processo de reconstrução. Aí, acrescente a isso, o fato de você olhar para o lado e perceber que seu companheiro (a) também mudou. Só esse fato, por si só, já seria o suficiente para uma crise no casal.

– Novas tarefas: Antes, um se dedicava ao outro. Agora, o casal precisa se reorganizar a partir não mais de suas próprias necessidades, mas da necessidade do filho. Com isso, o casal acaba ficando mesmo em segundo plano, não tendo mais um tempo juntos. Além disso, a divisão de tarefas pode ser causadora de stress, pois é muito comum essa divisão ser considerada injusta por um ou ambos.

– Mergulho no universo infantil: Para as mulheres, mergulhar nesse universo costuma ser mais fácil. Nossa criação e nossa cultura favorece. Quem não brincou de boneca, aprendendo a cuidar, a acalentar, a se familiarizar com a vida doméstica? Além disso, tudo acontece no nosso corpo, favorecendo essa preparação. Para o homem, o processo costuma ser mais lento e, por algum tempo, é provável que se sinta à parte desta relação. Isso pode acontecer porque a mulher não favorece esse vínculo entre pai e bebê e/ou por dificuldade desse homem se conectar com seu mais novo papel. É como se estivessem em sintonia diferentes. É muito comum o homem, por dificuldade em lidar com a situação, seguir sua rotina, na tentativa de ter a vida de antes. Como se fosse possível? Rsrsrs. E, quando isso acontece, pode gerar muito ressentimento entre o casal.

– O sono: Quem tem filhos pequenos sabe que você jamais dormirá como antes. Isso costuma ter um preço para o corpo e as emoções. A privação de sono ou mesmo adiar necessidades básicas como: dormir, se alimentar, ir ao banheiro, pode ser muito estressante. E gera consequências para o humor, para disposição e energia que precisamos não só para cuidar do bebê, mas para cuidar da gente e do relacionamento. Como administrar a nova vida e ainda ter desejo e disposição para o sexo?

Sexo: Falar em sexo é falar também em sintonia e, com as mudanças que a chegada de um filho trás para a vida do casal, talvez a impressão seja mesmo que ela não exista. Além da privação de sono e ajustes para todas as mudanças, a mulher passa por um período de reconstrução, inclusive da sua autoestima. Ela já não é mais a mesma, seu corpo também não.

– Interferências de familiares: Como mencionei no início do artigo, o casal está incorporando novos papeis. Acontece que, ao se tornarem pais, eles promovem seus irmãos a Tios, seus pais a Avós e por aí vai… E é muito comum acontecer interferências antes não vivenciadas, causando stress para o casamento.

– Expectativas em relação ao outro: Consciente ou inconscientemente, fomos construindo uma expectativa sobre como nosso parceiro (a) seria como pai/mãe. Talvez, chegamos até imaginar que tarefas realizaria, como iria nos tratar, etc. Acontece, que a realidade costuma ser diferente daquilo que esperávamos. Os dois estão aprendendo a exercer um novo papel, cada um tem uma referência diferente do que é ser pai e mãe.

– Traição: O distanciamento entre o casal costuma ser tão grande que a traição é um complicador comum, nesse período. Com isso não quero dizer que seja normal, que se justifique, mas infelizmente é bastante comum. E, a separação costuma vir como consequência.

– Intensificação dos problemas anteriores: Se engana quem acha que é o bebê quem une ou separa um casal. O bebê traz novos desafios para o casal e sim, esses desafios intensificam problemas não resolvidos anteriormente.

É uma fase muito complexa para resumir em um artigo. Mas, espero ter lançado luz sobre alguns porquês, pelo qual a relação conjugal pode ficar tão difícil nessa fase. Sim, a crise acontece e é sentida mais, ou menos, por cada casal, dependendo de como estava a qualidade da relação antes. Mas, a noticia boa, é que a crise apesar de dolorosa também é uma oportunidade de desenvolvimento. Quer saber por onde começar a reconstruir sua relação? Leia meu próximo artigo.

Tatiana Queiroz de A. Santos CRP 05/42047

Psicóloga-Coach. Terapeuta de casais e famílias. Formação em Psicologia Perinatal e Parental.

Apoia mulheres e casais a lidarem com as transformações, que ocorrem com a chegada dos filhos.

Fone: 21-99937-1468

E-mail: contato@tatianaqueirozpsi.com.br

Site: www.tatianaqueirozpsi.com.br

 

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