“Coisas de menino e Coisas de menina”… Será que é isso mesmo?

Hoje vou falar de um assunto polêmico, GÊNERO. Vamos começar esclarecendo o que é uma educação de abordagem não sexista, ou seja, nós do Blog Mãe Só Tem Uma, acreditamos e batalhamos por uma educação igualitária entre meninos e meninas, sem distinção de sexo. Isso não quer dizer que somos a favor ou contra o Homossexualismo….Calma! Uma educação igualitária não tem nada a ver com o fato do seu filho ou filha vir a ser homo ou heterossexual. O que buscamos é equalizar as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho, no ambiente familiar e em alguns setores sociais, independente da sua futura opção sexual. Mas, pra que isso aconteça, é importante que a educação que a criança recebe desde o início da sua vida comece a mudar. Vamos lá que vou te contar tudo sobre educação não sexista.

A educação não sexista não é um assunto novo a ser discutido, mas sim um assunto que vem sendo abordado desde 1979 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Atualmente, tem como parâmetro os acordos internacionais, dentre este, a Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra as Mulheres o qual aborda todo o conceito de igualdade entre os sexos e em defesa de uma educação igualitária sem distinção de sexo nas práticas familiares e escolares. Você pode conferir o documento na íntegra no site da ONU

Mas onde isso interfere na educação das crianças? O que é preciso mudar?

A proposta do documento em questão é a luta por condições iguais de ambos os sexos na sociedade, não só no mercado de trabalho, mas também no que se refere a posição social de homens e mulheres na família e na sociedade. Para que isso ocorra é necessário que a educação dada aos nossos filhos comece a sofrer mudanças, como a “eliminação de qualquer concepção estereotipada dos papeis masculino e feminino em todos os níveis e em todas as formas de ensino”, seja esta uma educação escolar ou familiar.

Desde muito cedo esperamos e forçamos que meninos e meninas se comportem de uma maneira já pré-concebida. Isto se inicia logo no comecinho da infância quando a criança desperta para as brincadeiras. Assim, os adultos oferecem brincadeiras diferenciadas e “permitidas” a cada sexo. Grande parte das brincadeiras e brinquedos oferecidos estão carregados de expectativas, simbologias e intenções. Uma menina é criticada por gostar de futebol e carrinho, e a ela é dado bonecas e panelinhas. Um menino é criticado por gostar de brincar com bonecas e panelinhas, mas é encorajado a gostar de esportes como futebol e lutas. Coitado do menino que chora porque caiu e ralou o joelho, logo vem o discurso de que homem não chora!

 

Meu filho vai virar gay se ele brincar de boneca?

NÃO!!!

É importante ressaltar, deixar claro, que a educação igualitária entre os sexos, em nada corrobora para a escolha sexual da criança no futuro. Durante a infância e a adolescência, as crianças estão em processo de formação e isso inclui sua sexualidade (reconhecimento do sexo – genitália – masculino e feminino). Maquiagens, vestidos, roupas de princesas e super-heróis não precisam ser proibidos de acordo com o sexo da criança. Isso não irá “sugerir” ou “educar” a criança para que ela seja hétero ou homossexual. Essa descoberta será feita no futuro dela, quando o corpo demonstrar desejos, admiração e preferências pelos atos sexuais da vida adulta, e isto não tem qualquer relação com os brinquedos que utilizou quando criança. É psicologicamente e cognitivamente saudável que a criança explore, conheça e vivencie suas alternativas sem julgamento. “Os pais devem saber entender e estimular as escolhas dos filhos”, diz Quezia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

No entanto, o que ainda acontece é que as práticas simples do dia a dia trazem a ideia de que o menino deve ser superior, não demonstrar seus sentimentos, não participar das atividades domésticas e chegamos a encorajar a agressividade como símbolo de masculinidade, força e soberania. Enquanto que a menina sempre é direcionada a expor seus sentimentos, a ser meiga, carinhosa, dedicada as tarefas domésticas e familiares como, por exemplo, a cuidar dos filhos. Essa prática de diferenciação do que é “permitido as crianças brincarem” é extremamente discriminatória, desde cedo você está ensinando a criança como ela deve se comportar na sociedade e com a sua família.

Brincadeira não tem sexo!

Vale lembrar que toda brincadeira estimula o corpo, a mente e a representação social, por isso, brincadeiras com bonecas, casinhas e atividades domésticas, são indicadas para ambos os sexos, pois representa a vida familiar harmoniosa que a criança pode ter quando crescer, além de desenvolver a responsabilidade, a divisão de tarefas e o zelo com sua família e seu lar, assim como brincadeiras ligadas ao esporte como o futebol tão evidenciado no mundo masculino, também devem ser praticados pelas meninas, pois desenvolvem o movimento do corpo, a liderança, o respeito às regras, a competitividade, o controle da agressividade e a socialização em grupo. Não estamos dizendo aqui que é obrigatório que um menino brinque de casinha ou brinque com qualquer coisa relacionada “a meninas”.

O que defendemos é que é preciso ampliar as opções para as crianças quanto aos seus interesses nas brincadeiras. “Não é obrigatório que um menino brinque de boneca se ele não mostrar vontade de fazê-lo, mas, caso ele tenha a iniciativa, isso deve ser estimulado. Afinal, ele também pode optar por ser pai, no futuro, e está apenas imitando a realidade. Brincar de casinha é uma ótima prática para se iniciar uma discussão sobre o trabalho doméstico – se ambos convivem juntos, por que uma pessoa cuida mais do que a outra? Como todos podem ajudar?” O mesmo se aplica a menina. Porque ela não tem direito de se tornar uma grande empresária ou uma jogadora de futebol? Porque ela não tem o direito de não querer cozinhar, cuidar dos filhos e limpar a casa sozinha? Porque a mulher tem que ser a única responsável pela logística familiar? Quando se tem a ajuda do companheiro (a), as tarefas se tornam mais prazerosas, menos desgastante e mais produtiva.

A medida que a educação não sexista for empregada na educação de nossos filhos, acreditamos que o papel do homem e da mulher na sociedade começa realmente a ficar no pé da igualdade. Ainda hoje, mulheres possuem menores cargos e salários se comparados aos homens. Em alguns setores do mercado de trabalho praticamente não se vê a presença das mulheres. Em muito isto acontece devido a essa educação separatista desde o início da vida da criança. Conforme afirma a ministra-chefe da Secretaria de políticas para as Mulheres, da revista Educar para Crescer “Para a construção de uma sociedade baseada na igualdade precisamos que esse princípio seja inserido na educação, tanto na escola quanto em casa. A educação tem o poder de ajudar a mudar os valores de uma sociedade”, e isso vai desde o ensino no ambiente escolar até a educação em casa. É essencial que as instituições escolares mantenham o diálogo com as famílias sobre a importância da igualdade de gênero e da abordagem não sexista. É preciso acabar com a diferença nas práticas sociais entre homens e mulheres, é necessário haver respeito pelo próximo e finalmente nos permitir uma real igualdade de tratamento e oportunidades entre todos os seres humanos!

Bianca Santiago.

Pedagoga.

Fonte de pesquisa:

http://www.onumulheres.org.br/onu-mulheres/documentos-de-referencia/

http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2013/03/convencao_cedaw1.pdf

http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/discrimulher.htm

http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1521

http://naescola.eduqa.me/carreira/educacao-de-genero-por-um-ensino-sem-coisa-de-menino-e-coisa-de-menina/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-83332009000200010